segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Capítulo 3: Começando a viver (Renata)


Olá, meu nome é Renata Arantes e tenho 16 anos. Moro com meu pai. Minha mãe, não sei. Sumiu, desapareceu, me abandonou literalmente. Meu pai sempre foi um amor em pessoa até quando eu fiz 15 anos. A partir daí começou a marcação. Por quê? Ah que pergunta, porque eu comecei a ouvir rock. Eu sou indecisa, gosto de punk e de heavy metal. Minha aparência não é de lá muito rockeira que vive fazendo sinalzinho de mão chifrada. Mas eu sou do estilo discreta. Ok, isso não importa. Mas eu converso diariamente com Laura e Eduarda. As únicas que se importam realmente comigo, que me dão conselhos, que choram junto comigo e que me aceitam do jeito que eu sou. Eu tento ser social mas quando chego em casa é a maior depressão e daí começo a ouvir músicas de Green Day que de algum modo me revoltam e me animam.

Going to the mall

- REEEEEEEEEEEEH! - já era Jéssica buzinando e fazendo maior escandalo com aquela voz fina e alta
- Já estou indo, pera - falei me arrumando com pressa

Jéssica me convidou pra ir no Plazza, mas eu disse que não e daí ela disse que iria me buscar do mesmo jeito. E foi! Sim, ela é doida...
Desci as escadas, cheguei na sala, dei um breve tchau pro meu pai e fui até o carro dela. Entrando ela logo pergunta:

- Por que demorou tanto?

- Porque eu tava pensando na morte da bezerra. Claro que é porque eu não queria ir, dãr - sim, sou meio grossa

- Calma, você precisa relaxar. E tem que tirar essa neura de que tá gorda, coisa mais sem noção.

Apenas olhei com um olhar 43 e ela riu e assim continuamos em silêncio. Chegamos no Plazza. Estava vestindo uma blusa justa preta de mangas com uma calça jeans com um all star branco. Na maquiagem, apenas delineador.

Fomos na C&A, ela como é perfeita, todas as roupas serviam. Eu sou um bagulho gordo. E ela perguntava

- O que achou?

- Lindo. - com a maior cara de tédio do mundo

- Legal, você não gosta de sair, não gosta de comprar, o que quer fazer então?

- Comer, engordar, enlouquecer, vomitar.

- Engraçadinha, vamos no cinema, aí vamos ver um filme e comeremos pipoca com Coca light.

- A-M-E-I! - eu era meio patricinha as vezes, mas era só de sacanagem.

Enfim, vimos o filme, nem lembro o nome, enfim, foda-se e quando cheguei em casa, abri o portão, cheguei na sala, meu pai tava dormindo com a mão imagina aonde e eu apenas disse "CHEGUEI!" e foi o suficiente para ele acordar.

- Demorou filha. - Esfregando os olhos

- Fui apenas fazer compras mas a Jéssica me puxou pro cinema e já viu né

- São que horas?

- 19:30. Vamos jantar?

- Não estou com fome, se quiser se vira na cozinha.

- Obrigada - ironizei.

Mas que se foda, subi pro meu quarto, nem Laura nem Eduarda estavam on e fui ver Tele Cine Pipoca e daí fui dormir. Ótimo domingo. Mentira.

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